Thursday, 20 August 2015

A psicologia da simplicidade

As pessoas assentem: "é simples assim", no entanto, nunca achei coisa tão complexa como é o "simples". O "simples" é de tal simplicidade , isto é, cheio de conformidades, obviedades e mesmices, que muitas vezes deixamos de dar a devida atenção a esse e, rapidamente, nos vemos vasculhando os lugares mais improváveis, enquanto que buscar o que é simples torna-se uma jornada complexa e, à vista disso, nem tão óbvia assim.

Não se enganem, é aí que reside o paradoxo metódico, o homem passa a ser inverossímil por aparentar ser ele previsto com exagero: muitas vezes o objeto, a meta, a clara finalidade, pode ser simples, mas isso não quer dizer que o meio para alcançá-la esteja à mesma disposição. O absurdo é que parece faltar o caráter intencional justo no ponto em que deveria estar, na meta, mas a meta, o simples da meta, é por si ininteligível e imprevisível. Como demonstrado acima, nos esquecemos com facilidade do que a princípio é óbvio para nós... porque é exatamente óbvio! Sendo assim, nos obrigamos a sustentar esse paradoxo da "busca da clareza", alea jacta est, "a sorte está lançada", quem deseja os fins também deseja seus meios.

Da mesma maneira, o simples é demasiado o caso daquilo que tratamos como "verdade". A verdade é tão simples e óbvia aos nossos olhos que estamos frequentemente deixando-a escapar. Embora, se por um lado há a fuga da verdade prestes a gerar o esquecimento no espírito, pelo outro, há a razão de se filosofar(talvez agora intencionada, como meio), que reencontra com parcimônia e clareza "o evidente" na perplexidade do que foi perdido mas que se achou. Ainda que isso signifique a repetição de um sórdido ciclo.

Meditative Rose, Salvador Dali


Por Marcelo Monteiro